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10/01/2009

#61

Estou Jorge, fala a Elisabete. Eu nem sei bem o que dizer, está bem que ela tem razões de queixa de mim por causa de umas coisas que eu fiz. Também está certo que não devia ter tentado aproveitar-me da tua quase paralisia, mas olha estava com as vontades e tu estás ali muito à mercê de quem te visita.
Olha que o enfermeiro rabeta é menina para fazer a mesma coisa, de te apanhar a jeito e resolver tratar-te da algália. Esse mesmo enfermeirinho que ainda ajudou a Maria do Carmo a expulsar-me lá de casa, naqueles preparos. Por causa deles fiquei sem a roupa e sem os meus sapatos novos que o meu pai me deu no Natal. Foi difícil explicar-lhe que a roupa me desapareceu do corpo e que os sapatos seguiram o mesmo caminho. Já para não falar da história que eu tive que inventar para conseguir que a loja do fundo da rua me emprestasse uma gabardine. Quem ainda me viu quase nua no meio da rua e te ia visitar foi o Samuel, aquele que escreve ou que é director da revista gay. Nunca passei vergonha maior. Maa deixa estar que eu vou tolerando tudo isto em nome do meu amor, e a mamalhuda gorda da Maria do Carmo que não pense que isto fica assim. Deixa um homem ao abandono e depois queixa-se quando alguém resolve confortá-lo. Quem vai ao mar ...

#58

Estou amor? Ó meu querido, fala a tua Elisabete, e digo-te que ando aqui numa agonia a saber se te havia de ligar ou não. Eu sei que te fiz coisas muito feias, mas uma mulher trocada não é propriamente uma mulher bonita. Quero pedir-te desculpa a ti e espero que a Maria do Carmo não tenha ficado chateada com a história do anúncio do jornal. A bem da verdade, não ficou com toda a certeza, que uma puta sem anúncio no jornal, é como ir a Roma e não ver o Papa. Olha meu doce, vou visitar-te hoje pela tarde, ainda tenho uma cópia da chave pelo que não te incomodes que nem vou bater à porta. Um beijo grande e as melhoras, meu grande amor. Até logo.

08/12/2008

#46

Jorge. Fala a Elisabete. Dor e raiva, é o que me enche a alma. Nem sei o que dizer, mas esta é a última vez que te ligo. Como é que eu sou tão parva? Os meus pais sempre a avisarem, mas nesta idade os avisos dos pais de pouco nos valem. Quem me dera ter-lhes dado ouvidos. Anos de vida perdidos com um escritor de vão de escada. Que desperdício. Sê muito feliz com essa vaca mamalhuda.

04/12/2008

#42

Jorge meu amor fala a Elisabete.
Lembrei-me de uma entrada de ostras para o jantar de amanhã, gostas tanto de ostras. Mais tarde lembrei-me que o meu pai não suporta ostras. Diz que o sabor é bom, mas que é comida afrodisíaca, e que não quer essas coisas cá em casa. Podem ser mexilhões? Bem vistas as coisas é praticamente a mesma coisa.
Vais adorar a sobremesa. Vou ser eu a fazê-la. Já estou a treinar há dois dias. E vais ser toda para ti, que pelo andar da carruagem, mais um dia de treinos e enjoamos todos o porcaria do cheese-cake. Ontem acabei o queijo fresco ao almoço e para o jantar experimentei com gorgonzola. Nem o gato conseguiu comer aquilo.
Bem meu amor, vou andando que tenho milhares de coisas para tratar. Beijinho doce da tua sobremesa favorita.

03/12/2008

#40

Jorge meu amor. É a Elisabete do teu coração. Há quase uma semana que não me ligas nenhuma, mas eu sou um coração de manteiga e perdoo-te. Por falar em perdoar o meu pai está disposto a fazê-lo e para assinalar este evento marcou restaurante para nós os quatro na próxima Sexta.
Vamos jantar com os meus pais de forma civilizada e tudo vai ficar esclarecido. Estou tão entusiasmada. Se soubesses o trabalho que me deu convençê-lo a aceitar a nossa relação com naturalidade. Mas agora está tudo bem e depois de Sexta melhor estará. Telefono-te depois para combinarmos os detalhes. Um beijo meu amor.

28/11/2008

#29

Jorge meu herói. É a Elisabete. O meu pai já voltou do hospital e consegui que ele não apresentasse queixa, prometendo-lhe que voltava para casa. Deste-lhe a sova que ele merecia e não te preocupes, foi só um olho à Camões e três pontos na testa.
Se bem que os pontos eram dispensáveis, não precisavas de lhe atirar com o telefone.
Agora não sei se não atendes porque nunca atendes, ou se desta vez estás sem telefone. Fico à espera que me digas qualquer coisa.
Um grande beijo, meu amor, meu rambo, meu herói.

27/11/2008

#28

Sr Jorge. Fala Pacheco. Já passa das dez da noite e não volto a avisá-lo. Eu mando aí a polícia. A minha filha ainda não falou connosco desde ontem e a mãe está desesperada. Aquela rapariga está transtornada e não é difícil perceber quem foi o responsável. Eu mato-o seu ordin...
- Olá pai.
- Filha. Deus seja louvado. O que é que fazes aí com esse marginal?
- Ele não está pai. Saiu quando eu entrei cá em casa. Diz que não quer nada comigo.
- Filha esse bandido não é para ti. Volta para casa dos pais. Não percas a tua dignidade. Mostra-lhe de que é feito um Pacheco.
- Pai estou tão triste, não consigo viver sem ele.
- Não sejas ridícula Betinha. O que é que esse homem te pode dar? Uma vida reles. Um escritor filha, ainda por cima um escritor que ninguém conhece. Se ao menos fosse um Saramago. Quer dizer, um Saramago não, que é um comuna herege. Se ao menos fosse um António Lobo Antunes. Esse falhado não é homem para ti. Fica aí sossegada que em meia hora chego para te trazer para casa. Aproveito e dou-lhe a tareia que ele merece.
- Oh pai não faça isso. Estou ???? Paizinho ?!! PAIII! Olha desligou.

#26

Jorge meu amor. Saí de casa dos meus pais ontem à noite. Passei a noite acordada, ás voltas pela cidade e cheguei à conclusão que não sei viver sem ti. Estou quase quase a chegar. Desce se faz favor para me ajudares com as malas. Beijos.

22/11/2008

#21

Eu acredito que não queiras atender. Passei-me quando me disseste que tinhas dado a viagem aquela vaca. Fui até lá e tentei arrancar-lhe o bilhete à força. O homem da maqueta também não colaborou. Eu não tenho culpa que ele tente viajar com uma coisa tão frágil como bagagem de mão. Um absurdo ter que pagar aquela fortuna ao homem, para ele não apresentar queixa à polícia. Assim que as coisas melhorarem lá por casa eu convenço o meu pai a devolver-te o dinheiro. Vamos fazer as pazes de uma vez por todas. Amo-te muito apesar de teres oferecido a nossa lua de mel ao trambolho da Maria do Carmo. A esta hora deve estar lá, de sorriso parvo nas trombas, a tentar enfiar aquelas mamas num biquini mínimo. Que ridícula. Telefona-me amor.

17/11/2008

#14

Jorge meu amor, estou desesperada. Os meus pais encontraram a Maria do Carmo e ela contou-lhes a história toda. O meu pai quase que não me fala e a minha mãe diz-me que, desta vez, ele tem toda a razão. Aquela sonsa fez de propósito. Nunca lhe vou perdoar.
O teu amiguinho Eduardo também é um belo de um sacana, não tem pingo de sensibilidade, só pensa no trabalho e no dinheiro. Preciso tanto de ti. Não me deixes aqui a falar com a máquina cada vez que ligo. Amo-te muito meu doce. A lua de mel pode esperar, mas eu preciso de ti. Beijinho e xi corações. Até logo.

14/11/2008

#10

Sozinha não vou, estúpido. Isto era a nossa lua de mel, a nossa semana no paraíso. Insensível, cretino. Tu por um acaso achas que eu quero saber do problema da agência de viagens, ou dos contos que tens em mãos, ou da data para a entrega ou do raio que te parta? Até aos meus pais eu menti. E agora o que é que lhes digo ? Que afinal não vou porque a Maria do Carmo tem onze contos para escrever em quinze dias? Tem paciência, a Maria do Carmo é veterinária, vais escrever contos sobre o quê? Psicologia animal? Aliás, se queres que te diga, muito me estranha que aches possível escreveres a esse ritmo. Tu demoras anos para o que quer que seja, e demoraste três meses para escrever aquele esterco que ninguém entende. Adeus.

13/11/2008

#7

Desculpa lá este telefonema, mas preciso de esclarecer uma coisa. É de mim ou disseste-me há meia hora atrás que só tens reserva para uma pessoa no avião? Devo estar a sonhar.

11/11/2008

#2

Olá Jorge.
Ai querido, queria tanto que atendesses o telefone. Vá lá... Tenho uma notícia tão boa para te contar. Estive a falar com os meus pais sobre a viagem ao Rio de Janeiro. Tá bem que tive que mentir um bocadinho mas a boa notícia é...
DEIXAM-ME IRRRRRR. Uma semana inteirinha contigo. Quer dizer, contigo não deixam, porque acham que vou a Maria do Carmo. Mas nada disso importa. Vamos os dois para o paraíso. Que sonhoooooo. A senhora da agência já ligou? Ela ficou de falar hoje à tarde. Conta-me tudo meu amor. Até logo. Liga-me.